domingo, 18 de fevereiro de 2018

Onde vais estar daqui a dez anos?

Se há dez anos alguém me tivesse perguntado onde estaria hoje, o mais provável seria ser  alguém que eu não conhecesse de lado nenhum. Como o artigo ficaria um pouco pobre assim, vou fazer um exercício de especulação e imaginar que a) costumo ser abordado por estranhos com perguntas que não lembram ao Diabo e b) quando estranhos me abordam com perguntas destas, eu até respondo.
Onde estarei daqui a dez anos?
Se me tivessem perguntado isso em 2008, quase de certeza que a minha resposta não teria nada a ver com a minha situação actual. E desconfio que, se me colocarem a mesma pergunta hoje, por muita estabilidade que exista, a minha resposta deverá ser bastante diferente da realidade que viverei em 2028.
E como poderia não ser? Eu não sei onde vou estar daqui a dez meses (ou dez dias, sequer!), quanto mais dez anos. Mesmo que fosse alguém muito organizado e controlado (não sou), há demasiadas micro-variações para conseguir precisar com o mínimo de probabilidade onde estarei (de corpo e mente) daqui a uma década.
Consigo, com uma precisão quase infalível, dizer onde algumas pessoas estarão. E com mais certeza ainda, consigo dizer onde eu gostaria de estar.
Gostaria, condicional.
O sítio onde estamos nem sempre é o sítio onde gostaríamos de estar: é verdade. Às vezes é apenas o sítio onde precisamos de estar. Às vezes é o sítio onde, de facto, queremos estar.
Não sei onde estarei daqui a dez anos e não quero saber. A verdade é essa. Neste momento, sei que estou a passear na Quinta da Regaleira e não consigo pensar em sítio melhor para estar.


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Contra o sistema

Sabes que és um carneiro obediente quando não pensas por ti. Sabes que não pensas por ti quando fazes tudo o que a sociedade te diz para fazer. As tuas decisões, as tuas acções, não são tuas. Não tens voto na matéria, apenas direito de voto.
Atravessas a estrada na passadeira; esperas pelo sinal verde, mesmo que a rua esteja cortada ao trânsito. Sobes e desces dois andares de escadas na estação de comboio (porque o elevador está avariado) para passar de uma plataforma para outra (mesmo que o próximo comboio só passe daí por uma hora), quando antes atravessavas a linha sem problemas. Só porque passou a ser perigoso.
Não passou a ser: é. Sempre foi. Mas não era isso que te impedia antes, pois não? Tu conhecias as regras, perdão, os conselhos, e sabias não atravessar quando a cancela estava em baixo. Sabias parar, olhar, escutar, olhar novamente, e só então atravessar.
Agoras chegas à estação a faltar três minutos para a chegada do comboio e sabes que o não vais apanhar porque o sacana do elevador continua avariado e subir e descer aquela merda de escadaria são pelo menos quatro minutos. Atravessar a linha a pé demora dois minutos. É apertado. O comboio pode vir adiantado e ainda levas uma panada. É melhor não arriscar. (Como se a falta de tempo fosse a principal desculpa.) O próximo é já dali por uma hora. E os bancos até não estão muito cagados.
És um carneiro obediente que cumpre todas as regras. Acredito que possam haver excepções. Acredito que possam haver momentos em que penses "Que se lixe!" (ou "Que se foda!", consoante o teu estado de espírito) e decidas atravessar na passadeira sem esperar pelo verde, apenas ausência de trânsito. Ou que atravesses a linha férrea quando o comboio ainda mal saiu da estação anterior. E ainda bem que isso acontece.
As regras não foram feitas para serem quebradas: foram feitas para serem observadas. Mas o seu cumprimento deve ocorrer em função das circunstâncias e não apenas porque sim. Assim como a não-obediência. Se antes atravessavas a estrada num sítio e a sociedade te manda atravessar noutro, estás a ser um carneirinho obediente. Se optas por atravessar no sítio anterior, estás a ser um rebelde. Mas se a sociedade mudou o sítio de atravessamento porque abriu uma cratera no sítio anterior, e tu insistes em atravessar aí, dê lá por onde der, não estás a ser rebelde ─ estás só a ser estúpido.

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És um carneiro obediente ou um rebelde? Responde nos comentários. (Reparaste que não perguntei se eras estúpido? Presumi logo que não, senão não estarias a ler isto. Além disso, se fosses estúpido, não irias entender a pergunta de qualquer forma.)

domingo, 14 de janeiro de 2018

Nada se repete, tudo é novo.


O futuro nem sempre é uma novidade absoluta; muitas vezes é apenas uma forma diferente de encarar o passado e encontrar novos caminhos, novas soluções.
Em Agosto do ano passado fui contactado pela Digitales com uma proposta de elaboração de um site de autor mais dinâmico, mais prático e, acima de tudo, mais profissional. (Podes ver o resultado em www.joelggomes.com.) A concentração de "três autores" numa única página obrigou a muito planeamento, bem como algumas decisões bastante complicadas, mas foi também um processo muito estimulante que, assim espero, irá recolher proveitos dentro em breve.

Ao fim de alguns anos com blog/site no wordpress, resolvi criar um novo blog no blogger. Foi aqui que comecei (em 2003 ou 2004) e é aqui quero regressar. Pelo menos por enquanto. Ainda é cedo para saber onde é que este caminho que agora se inicia irá dar. A única coisa da qual tenho a certeza é que nada se repete, tudo é novo.

Até já.